Contam os sábios orientais que é possível sentir o gosto do mel no interior de uma garrafa, mesmo que ela esteja vedada com uma rolha ou algo semelhante. Para isto, basta vê-la, senti-la, tocá-la… eu ousaria dizer: escutá-la

[1] Professor Adjunto da UERJ e convidado da Université de Bruxelles. Especialista em educação pela Université de Glion, Montreaux, Suíça. Mestre em Estudos da Linguagem pela PUC-Rio. PhD em Letras-Estudos de Linguagem pela UERJ. Autor de mais de 50 livros publicados e premiados em todo o mundo. Parapsicólogo e Iridologista com pacientes no Brasil (Porto de Luz, Piracanga e Portal 11:11) e na Europa. Membro da Academia Brasileira de Filologia (cadeira 38) e do International PEN-Club de Londres. Conselheiro da Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. Pianista clássico premiado nas Américas e na Europa.

O Poder do Encontro

A primeira característica notável de O PODER DO ENCONTRO: ORIGEM DO CUIDADO[1], do Roberto Crema, é exatamente a que os sábios orientais indicam. Ao percebermos o livro que contém os sinceríssimos “relatos de viagem do velho ao novo paradigma”[2], já se instila em nosso interior um mel que, mais do que simplesmente doce, é também capaz de nos retirar do letárgico estado de estagnantes da amnésia para o ponto de mutação de mutantes da anamnese… e daí para além.

A obra tem, por assim dizer, um poder semiótico que se doa generosamente, como o mestre que aparece quando o discípulo está pronto, ou como o discípulo que aparece quando o mestre está pronto. Um momento de encontro em que os corações estão no alto – sursum corda – pois “tudo o que sobe converge”, como profetiza Teilhard de Chardin. A sinergia que converge nesse encontro em que “eu” e “tu” é muito mais do que “nós”, porque entre “eu” e “tu” há um terceiro que nos abarca, só poderia ser nomeada – com todas as limitações intrínsecas ao ato de nomear, pois Name ist Rauch und Schall[3] – como uma obra que, entre outras travessias de mãos dadas, leva-nos ao centro do labirinto, à iniciação que é o alfa e o ômega que nos permite tornarmo-nos simples e inteiramente quem somos.

A obra não tem mapa. Nem poderia ter. Pois trata-se de um oceano profundo; muitas vezes de um deserto vasto; trata-se, pois, de uma vivência em que mapas pouco importam, já que só as bússolas, nesse caso, guiam-nos à Luz do Norte.

É preciso desenvolver muita confiança no nosso Amigo Evolutivo mais experiente: Roberto Crema. E isso se dá de uma forma tão fraternal, que nos espanta o fato de, ao percebermos, já não nos apavorarem as gárgulas que miramos diante de espelhos, pois começamos a confiar em que muito do horrendo que vemos é causado por uma deformação no espelho, e não em quem se reflete nele.

Lembra-me um conto oriental que narra que certo Mestre ordenou a um de seus discípulos que entrasse no decurso de um rio que estava quase vazio e que só saísse de lá com um comando seu. O discípulo o fez. Logo em seguida, o rio começou a encher-se paulatinamente, pois vinham águas de afluentes seus. O rio foi enchendo cada vez mais e mais, e o discípulo foi ficando submerso nas águas que já tocavam seu pescoço. À margem do rio, sentado, o Mestre o olhava impassível. As águas subiram mais e cobriram toda a cabeça do discípulo. O Mestre nada fez. Passou-se um minuto, e o discípulo permanecia em seu lugar, submerso por inteiro debaixo das águas, esperando o comando de seu Mestre. Neste momento, o Mestre calmamente se levanta, entra no rio e retira o discípulo quase desacordado – inebriado de confiança, eu ouso dizer – de dentro do rio. Passados uns segundos, o discípulo se recompôs, seu pulmão encheu-se de ar. Vida nova.

Sua vida encheu-se de um algo a mais que não pode ser confinado à semântica das palavras.

Essa pequena parábola nos ensina sobre a confiança, a entrega, o êxtase, a perseverança, o tudo ou nada, a plenitude, a fidelidade, a lealdade, o encontro, a transformação – em outras palavras, o Amor. Há sempre certo risco no Amor, porque há sempre, em algum momento, a necessidade imperiosa de nos colocarmos de alma despida nas mãos de outros. “Viver é perigoso”, como lembra Guimarães Rosa em suas veredas. “E no entanto é preciso cantar / mais que nunca é preciso cantar / é preciso cantar e alegrar a cidade”[4]. Haja o que houver, custe o que custar: velit nolit. Para isso é necessário haver, desde o início, confiança e fé na totalidade a que somos convidados e nos Mestres, Terapeutas, Amigos Evolutivos que nos convidam a essa totalidade.

O PODER DO ENCONTRO é catalisador de um rito de iniciação, que dá acesso a um mito que nos desvela toda uma galáxia de símbolos cuja completude nos torna inteiros. É algo semelhante ao que sucedeu a Maria, quando, diante da revelação da ingente tarefa que o Arcanjo Gabriel lhe anunciou, sem hesitar, plena de graça e inteira de confiança, diz: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a Sua vontade”. 

É assim que, em muitos momentos, nos vemos em O PODER DO ENCONTRO: embaixo das águas de um rio, afogados até acima de nossas cabeças. Em perigo. Diante do Arcanjo Gabriel. Com uma tarefa retumbante pela frente. Mas confiando em que seremos retirados das águas pelo Amigo e em que teremos a bússola do mesmo Amigo na tarefa vertiginosa que nos foi comunicada.

Não é fácil, não é uma experiência racional, não se situa nas cercas do ego, não poderia ser explicada por Descartes, Kant, Maquiavel, Hobbes, Bacon, Berkeley…

Aliás, a própria essência da Transdisciplinaridade, como síntese de diálogos permanentes e em constante movimento, revela que as experiências mesuradas pela obra só poderiam unir a ciência, a filosofia, a arte e as tradições espirituais, numa ponte epifânica cujo alheamento tem causado ao ser humano o vazio existencial acusado por um Sartre, o niilismo acusado por um Nietzsche, o mal-estar acusado por um Freud, o materialismo acusado por um Weil. Assim, seria desnecessário tentar demonstrar o óbvio: as experiências que o Amigo Evolutivo nos solicita a viver vão muito além – ou estão antes, através e além – da mera cognição de uma inteligência intelectual ou lógica, passando pelas nossas outras inteligências, que nos tornam demasiado humanos, culminando, talvez, numa hierofania da Inteligência Espiritual.

Há momentos em que somos obrigados a sermos nós mesmos e ao mesmo tempo este que está nos observando ao nosso lado. Isso só é possível porque há uma quinta força que não exclui aparentes paradoxos: como eu poderia ser eu mesmo e outro ao mesmo tempo?

Ora, acaso não é o que somos sem que, simplesmente, muitas vezes, apenas não saibamos que o somos, sem que deixemos de ser por essa única razão?

Essa quinta força é exatamente a abordagem transdisciplinar holística, que respeita o percurso das grandes escolas da psicologia – a psicanálise, a psicologia comportamental, a humanista e a transpessoal –, reconhecendo-lhes, entretanto, limitações. A psicologia transdisciplinar permite o encontro de todas as nossas “oposições”, de todos os nossos “paradoxos”, conscientizando-nos da nossa natureza de pontes em que restará apenas a transparência da essência na existência e a sua consequente (e causal) pureza. Evocando o Fausto de Goethe mais uma vez: “A pureza é a força última do universo”.

Um dos princípios de Hermes Trismegisto – O princípio da Polaridade – ensina justamente que “tudo é duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados”. Isso está colocado no livro com outros ensinamentos análogos, como os de Lao-Tsé, quando afirma, por exemplo (na página 160), que “diz o santo: aceitar todas as impurezas do reino é ser senhor do solo e dos cereais. Aceitar os males do reino é ser o monarca do universo. As palavras da Verdade parecem paradoxais”.

Dante dizia que para chegarmos ao céu é preciso atravessarmos o inferno. Esse “paradoxo” é abraçado, amparado, amado e transubstanciado no colo da transdisciplinaridade holística, que eu vejo como um verdadeiro colo da Pietà, de Michelangelo, em que chumbo se torna ouro nas hábeis, femininas e amorosas mãos perseverantes da Alquimista Grande Mãe. (Sempre vi a Virgem Maria como a Pedra Filosofal, daí o seu colo onde, do chumbo da dor de Cristo, há a ressurreição na sua completa Transfiguração de Iluminado e Desperto.)

Ninguém pode fazer essa travessia tão enigmática (e muitas vezes amedrontadora) por mim. Mas há aqueles que podem me dar a mão, para que a busca não seja aterrorizante. É preciso confiar no coração que conduz essa mão – sublinho mais uma vez –, porque essa é uma condição de possibilidade, como Torralba fala tantas vezes sobre a intuição no desenvolvimento da inteligência espiritual, para que a vivência não seja interrompida, ou seja, para que a lagarta não seja impedida de alcançar o seu destino final: a borboleta.

A mão que nos guia nas sendas, nas dunas, nos bancos de areia e nos arrecifes de coral são análogas às mãos de Deus. “O que está embaixo é análogo ao que está em cima.” Assim na terra como no céu.

Essa circunstância inevitável me lembra um trecho em que Nikos Kazantzakis, em O pobre de Deus, narra que certa vez perguntam a São Francisco de Assis quem é Deus. O Iluminado responde: “Deus às vezes é um copo d´água, às vezes é um incêndio…”

A experiência iniciática às vezes é um copo d´água, às vezes é um incêndio…

Não é de forma alguma meu objetivo redigir uma resenha da obra, porque isso seria pretensioso e reducionista. Mas é preciso dizer que Roberto Crema põe uma erudição que rebrilha em harmonia com o “ornamento-coroa dos eruditos da terra das neves”, como se canta no hino a Losang Dragpa, o Buda Je tsongkhapa, o Buda do “não fenomênico”, a serviço de uma verdadeira psicologia ou pedagogia iniciática: um projeto de plenitude, uma utopia realizável no microcosmo, no mesocosmo e no macrocosmo.

Essa erudição – muito mais do que uma celebração: uma verdadeira reverência aos Mestres e seus ensinamentos – se observa por exemplo no seu “diário de bordo” sobre os artesãos do Encontro. É nessa toada que Crema aborda as contribuições primogênitas de Moreno, Buber, Rogers, Berne, Perls, Toro, Freire e Weil.

Sem permitir que “andemos a esmo pela Terra”, como Satanás relata a Deus, no Livro de Jó, a sua (des)ventura em nossa Gaia, a mão que nos guia no deserto e no oceano é capaz de brandir uma bússola confiável, que nos leva ao que Allan Watts chama de “caminho da libertação”, o que, como lembra Roberto Crema, chama-se “holopráxis” nos jardins da Unipaz.

Ninguém anda a esmo quando sabe aonde quer chegar. Mas, por sua vez, nenhum vento é favorável a quem não tem aonde ir.

No fundo, escrevi este texto porque, de alguma forma, na minha subserviente condição de escritor, era necessário que a minha expressão escrita tomasse a dianteira e construísse estradas à frente de mim para que a caminhada, após o batismo de O PODER DO ENCONTRO, se tornasse de alguma forma mais apolínea. Em outros termos, a heurística dionisíaca da obra abraça a luminosidade de Apolo e solicita que Yin e Yang dentro de nós se reencontrem para girar a Lemniscata do Infinito. E meu fanal, escriba que sou, dá-se prioritariamente pela palavra inscrita.

Assim, como pequenos príncipes e pequenas princesas, somos convocados a sair de nossos pequenos feudos ou planetoides normóticos convidados pela Rosa Mística à suprema das aprendizagens: aprender a amar, o que significa entregar-se ao encontro (pessoal, onírico, transpessoal, iniciático, transdisciplinar, imaginal…), ao cuidado e à “vida em abundância”, ensinamento central do Cristo. Isso significa viver plenamente conosco, com o outro, com o planeta, com todos os níveis de consciência e com todos os inconscientes que nos prefiguram: o coletivo, o simbiótico, o noético, o angelical, o aberto..

Trata-se de uma obra catártica, para quem está disposto a andar por desertos, labirintos e oceanos – não a esmo – com a finalidade de aprender a aprender. Na teia da vida, onde os perigos são demais, os relacionamentos tecem e entretecem caminhos e dias novos; os encontros criam novas alvoradas; o cuidar faz o Sol nascer sem fim; e “um galo sozinho não tece a manhã”[5].

Quem não se predispuser a educar os cinco sentidos por uma pedagogia iniciática que leva ao encontro e ao cuidado talvez não seja capaz de permanecer no rio enquanto as águas de O PODER DO ENCONTRO vão avolumando-se. Terá medo, pavor, claustrofobia, pressentirá a morte por asfixia e ausência dos ícones racionais, dos deuses que reduzem tudo a esquemas finitos e meramente cumulativos de explicações intelectuais cheias de complicações – em lugar de complexidades – e ausentes de implicações sutis.

Para permanecer nas águas que se avolumam em O PODER DO ENCONTRO, a confiança no Mestre é diretamente proporcional ao desejo de autotranscendência que não mais tolera viver a esmo nos descaminhos da patologia da normalidade que, num mundo de medíocres tecnocratas, é a patologia da mediocridade.

Há um dito popular, cujas origens me fogem, muito singelo e muito sábio: “Enquanto o prazer for maior do que a dor, você nada fará para mudar”. Este é um livro para aqueles em quem a dor superou o suposto prazer advindo da estagnação da normose, um livro para quem começou a sentir a beleza do sofrimento potencialmente transformador de estar imobilizado e acorrentado em si e no mundo; e, custe o que custar, precisa sair desse estado letárgico e letal; e, ainda, como um verdadeiro Bodisatva, sente o desejo mágico e alquímico de plantar essa semente de metanoia em todo o mundo

Contam os relatos budistas que quando o grande Buda Shakyamuni chegou às portas do Nirvana, sentou-se e voltou a meditar. Questionado de por que ele não entrava, ele respondeu: “Só entrarei quando todos os seres humanos também puderem entrar”.

Isso é encontro, isso é cuidado.

Encontrar é fundamental. Encontrar está antes, através e além de cuidar. Lembra Edgar Morin que “existem duas compreensões: a compreensão intelectual ou objetiva e a compreensão humana intersubjetiva. Compreender significa apreender em conjunto, com-preender, discernir em conjunto (o texto e seu contexto, as partes e o todo, o múltiplo e o uno)”.[6] Só cuidamos daquilo que compreendemos (encontramos), e só compreendemos (encontramos) aquilo de que cuidamos.A obra é para quem sabe que tem asas e raízes. É para quem sabe que do húmus da Terra brotam as riquezas e os alimentos da base da nossa árvore, e para quem não sofre de vertigem no momento em que estiver alçando o mais alto dos voos sem o qual não valeria a pena a aventura da existência inscrita na bem-aventurança da essência.

[1] São Paulo: Tumiak Produções, 2017.

[2] Alusão ao título de outra obra de Roberto Crema: Introdução à visão holística: breve relato de viagem do velho ao novo paradigma. São Paulo: Summus, 1989

[3] Nome é som e fumaça (Fausto, Goethe)

[4] Vinícius de Moraes, Marcha da quarta-feira de cinzas.

[5] João Cabral de Melo Neto, Tecendo a manhã

[6] Edgar Morin. Os sete saberes para a educação do futuro. Lisboa: Instituto Piaget, 2000.

Sonetos

Marcelo Moraes Caetano Brosens enviou o seu significativo texto sobre o livro em foco, acompanhado das pepitas poéticas abaixo, com a seguinte nota ao seu autor: Como sabe, cometo sonetos. Alguns dos que fiz (ou refiz) após a leitura de O PODER DO ENCONTRO:

La Pietà

Depois de consumado o fato inteiro,

Após a profecia que o esperava,

Desceu da cruz àquela que o amava

O filho, o bom pastor, santo e cordeiro.

 

Jorrava da costela, aberta à lança,

O sangue, as águas, tanto amor ferido.

Nos braços de sua mãe, sobre o tecido

De linho que secou sua face mansa.

 

Mesmo entre as lágrimas, entre as mulheres,

Desespero,  trovão, voz desarmônica,

Seco pelo sudário de Verônica,

 

Sua mãe ficou em pé, qual Deusa Ceres.

Desceu Jesus da dor ao suave dia

Dos braços confiantes de Maria.

[A resposta de Ariadne]

Oh, Teseu! Em lugar algum te perdes,
se fores simples como anuncio:
leva contigo estas folhas verdes,
derramando-as ao desenrolares este fio.

[A pergunta de Teseu]

Não foi em linha reta
que Teseu tornou extinto
o monstro da Ilha de Creta,
o Minotauro, rei do labirinto.

Sagrada borboleta

Quando a sua hora chega, à noite, farta,
cheia de uma doçura, um espetáculo
de fio a fio, um manto, um tabernáculo,
ergue-se a basílica da lagarta:

o seu casulo é o seu altar, sagrado,
a ceia é carne, é sangue, é paciência.
A santa larva inflige a penitência
no próprio corpo sem nenhum pecado.

É fato: uma crisálida não grita.
É dúvida: o que sofre o ser mutante?
É lindo: este ofício caleidoscópio.

Mas que na hora extrema, sibarita,
em furta-cor, arco-íris, se levante
a borboleta plena de heliotrópio.

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Roberto Crema

Antropólogo, Psicólogo e Mestre em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade de Paris, Roberto Crema é Reitor da Universidade Internacional da Paz - UNIPAZ. Implementador da Formação Holística de Base no Brasil e coordenador, durante vinte anos, do Colégio Internacional dos Terapeutas, é orientador, com a Lydia Rebouças, de uma formação no cuidado integral, Quinta Força em Terapia, na UNIPAZ de Brasília. Pioneiro na abordagem transdisciplinar holística, Crema viaja pelo Brasil e pelo mundo proferindo palestras e orientando cursos e seminários. É autor e coautor de mais de trinta livros, tais como “Introdução à Visão Holística”, “Saúde e Plenitude”, “Antigos e Novos Terapeutas”, “Pedagogia Iniciática” e “Mensagens do Deserto”.

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